16 de outubro de 2009

A Ciências dos Profetas

Um dos privilégios do Iniciado ao grande Arcano e que resume todos os outros é a Adivinhação. Conforme o sentido vulgar da palavra, adivinhar significa conjeturar o que se ignora; mas o verdadeiro sentido da palavra é inefável à força de ser sublime. Adivinhar (divinari) é exercer a divindade.

A palavra divinus, em latim, significa mais e outra coisa que a palavra divus, cujo sentido é equivalente ao homem-deus. Ser adivinho, corforme a força da palavra. é, pois, ser divino, e alguma coisa mais misteriosa ainda. Ser profeta é ver adiantamente os efeitos que existem nas causas, é ler na Luz Astral; fazer milagres é agir sobre o agente universal e submetê-lo à nossa vontade. Aliás, uma das condições essenciais da adivinhação é nunca ser forçada e nunca submeter-se à tentação, isto é, a prova.

Nunca os Mestres da ciência cederam à curiosidade de ninguém. Para ter sucesso na Grande Obra, é preciso ser divinus, ou adivinho, no sentido cabalístico da palavra, e é indispensável ter renunciado, para seu interesse pessoal, às vantagens das riquezas, de que nos tornamos, assim, dispensadores. A adivinhação é, pois, uma intuição, e a chave desta intuição é o dogma universal e mágico das analogias.

A adivinhação, no seu sentido mais amplo e conforme a significação gramatical da palavra, é o exercício do poder divino e a realização da ciência divina. É o Sacerdócio do Mago.

Mas a adivinhação, na opinião geral, se refere mais especificamente ao conhecimento das coisas ocultas. Conhecer os pensamentos mais secretos dos homens, penetrar nos mistérios do passado e do futuro, evocar, de século em século, a revelação rigorosa dos efeitos pela ciência exata das causas, eis o que se chama universalmente a adivinhação. De todos os mistérios da natureza, o mais profundo é o do coração do homem; entretanto, a natureza não permite que a sua profundeza seja inacessível.

Apesar da dissimulação mais profunda, apesar da política mais hábil, ela própria traça e deixa observar nas formas do corpo, na luz dos olhares, nos movimentos, no andar, na voz, mil indícios reveladores.

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O Iniciado Perfeito nem mesmo tem necessidade destes indícios; vê a verdade na Luz, ressente uma impressão que manifesta o homem inteiro, atravessa os corações com seu olhar e até deve fingir ignorar, para desarmar assim o medo ou o ódio dos malvados que conhecesse bastante. A adivinhação pelas quatro formas elementares que dependem todas da Vontade e do translúcido ou da imaginação do Operador.

Os Quatro Elementos são simplesmente instrumentos para ajudar a segunda vista. Esta é a faculdade de ver na Luz Astral que somente opera-se pela abstração dos sentidos. A abstração, produz-se pela embriaguez astral, isto é, por uma superabundância de luz que satura completamente e, por conseguinte, deixa inerte o instrumento nervoso. Não pode haver um estudo sobre o Tarô, Numerologia ou outras, mesmo elementar, sem que se aborde as Artes Divinatórias.

Não foi à toa que os egípcios colocara o saltimbanco no cabeçalho das lâminas iniciáticas do Livro de Thot. Tendo como alvo, em uma de suas seções, o estudo do invisível, o Ocultismo deve ocupar-se tanto do homem visível, como das imagens que cercam o ser humano e que podem ser reveladas por um grande números de procedimentos, cuja ralação seria muito longa.

Três divisões muito gerais do estudo e da aplicação das Artes Divinatórias:
  • a) o estudo dos Humores, das Cores, que se utiliza, das Linhas, da Escrita ou gestual e do andar;
  • b) da visão direta até o Horóscopo; dos Números; da terra;
  • c) e enfim, das manifestação diretas do mundo invisível ao nosso espírito pelos Sonhos, a intuição e das visões que constituem a última seção desta classificação geral das Artes Divinatórias.
O invisível manifesta-se diretamente ao ser humano por sonhos e visões. A isso denominou-se em grego de manteía (adivinhação): a Bíblia nos oferece exemplos para tudo que desejamos conhecer. Seus personagens praticaram as mancias. Nos tempos antigos haviam os chamados Profetas. Sua função era ensinar ao povo e agir como mensageiros. São erroneamente interpretados como videntes, aliás poderíamos dizer que os Profetas "viam" com os olhos de Deus.

Namaste!

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