21 de janeiro de 2010

Escrituras Sagradas, parte 2 - A Bíblia


Vamos continuar os nossos estudos sobre as Escrituras Sagradas? O primeiro Livro Sagrado a ser pesquisado será a Bíblia. É muito triste afirmar isso, mas a Bíblia - hoje - é comumente usada como um "manual dos evangelizadores profissionais", pois lida em trechos estrategicamente selecionados, seus ensinamentos servem de tópicos para discursos inflamados alterando completamente o teor filosófico contido da mensagem original.

Quando não, seus textos misteriosos (e sua capa negra) servem de álibe e escudo para ocultar o rosto dos fascínoras após os atos condenáveis. Não é à toa que muita gente que se diz cristão confesse o preconceito de transportá-la em lugares públicos ou que nunca a leu em detalhes. 

A palavra bíblia vem do grego ta biblia, que significa “os livros”. A Bíblia é, na verdade, uma biblioteca com uns quarenta livros escritos em hebraico, num período de dez séculos. Da história da criação do mundo, contada em Gênesis, à previsão do Juízo Final, do Apocalipse, mais de mil anos passaram até que a Bíblia fosse escrita. Trata-se de um precioso conjunto de documentos históricos, religiosos, filosóficos e poéticos. Embora os muçulmanos também aceitem a tradição bíblica, o livro é a obra fundamental apenas para as religiões judaica e cristã.

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Muita gente imagina que os livros foram escritos desde o início em estrofes. Não. Antigamente, os livros da Bíblia não eram divididos em capítulos e versículos. Foi no século XII d.C., que um bispo inglês chamado Stephen Langton, teve a idéia de dividir cada livro em capítulos. Três séculos depois, um editor francês, Robert Estienne, dividiu os capítulos em versículos - uma ou duas frases do texto como hoje nos é apresentado. O modo de citação segue desta maneira: a vírgula separa versículos (por exemplo, Gênesis 24, 28). O hífen ou o travessão unem versículos e capítulos (Gênesis 29 – 32). Segundo a doutrina cristã, o verdadeiro autor das Sagradas Escrituras foi Deus, que se serviu de hagiógrafos – escritores inspirados – para dispor os Seus conceitos e assuntos de maneira literária. O número de hagiógrafos foi grande e sua tarefa muito complexa.

OS SETENTA

A primeira tradução conhecida foi feita no século I, na cidade egípcia de Alexandria, então habitada pelos gregos e judeus, e culturalmente helenizada, como todo o mundo mediterrâneo de então. Querendo propagar a palavra divina, não só entre os israelitas que não mais conheciam o hebraico, mas também jamais conheceram esse idioma, setenta eruditos e respeitáveis judeus resolveram traduzir o Antigo Testamento. Trancaram-se em cabanas afastadas uma das outras, para trabalhar individualmente. Tempos depois – reza a lenda - , terminada a tarefa de todos eles, foram comparadas as 70 traduções e viu-se que eram idênticas entre si: não havia uma só discrepância! O fato ganhou fama até hoje a tradução oficial da Bíblia para o grego passou a ser conhecida como a “Tradução dos Setenta” (ilustração à direita). Para os estudiosos, entretanto, o texto desta célebre tradução é muitíssimo desigual, embora historicamente valioso, pois contém muitas passagens que desapareceram com o tempo, do próprio texto hebraico.

A VULGATA E OS APÓCRIFOS


No século IV, o Papa Dâmaso (ilustração) mandou rever a tradução. Coube a São Jerônimo traduzir o Antigo Testamento diretamente do hebraico para o latim – que não era mais o clássico, mas sim o popular, daí recebendo a tradução de Vulgata, e passando a ser o texto oficial que hoje vemos; coube São Jerônimo, também, a tradução dos Setenta para passagens mais obscuras do original.



A tradução para a língua portuguesa só ficou pronta no século XVIII. O Papa Pio XII, em 1943, Encíclica Divino Afflante Spiritu, determinou "que a autoridade da Vulgata em matéria de doutrina não impedia que a mesmas se confirmasse com os textos originais e que que se recorresse aos mesmos textos para encontrar e explicar o verdadeiro sentido das Sagradas Escrituras.

Para ler a Bíblia com proveito desejável, você necessita ser escçlarecido sobre cada um dos livros que a compõem, sob quatro pontos de vista complementares: o literário, o histórico, o doutrinal e cristão.

A autenticidade de certos livros do Velho Testamento, conhecidos como Apócrifos, foi muito questionada por várias correntes da Igreja. Por isso alguns deles são impressos separadamente.

O ANTIGO TESTAMENTO

O Antigo Testamento, que é a primeira parte da Bíblia e representa o equivalente a quatro quintos da obra: contém 46 livros – é a história de heróis hebreus, sua luta e sua aliança com Jeová. Tudo se inicia com o Pentateuco, cujo nome grego significa “cinco livros”. Porém, em hebraico o conjunto se chama Torá, isto é, Lei. Sua autoria é atribuída a Moisés. Sua redação levou séculos, seguindo a sua orientação e ensinamento.

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O primeiro livro, Gênesis, começa com a criação do mundo – e as histórias clássicas de Adão e Eva, Noé – e vai até a descida dos filhos de Jacó ao Egito. O Êxodo, que é o livro seguinte, narra a escravidão e a saída dos hebreus do Egito, a travessia do Mar Vermelho e a peregrinação pelo deserto. O Levítico apresenta um conjunto de leis religiosas, sociais e familiares, enquanto no livro dos Números refere ao recenseamento das 12 tribos de Israel. O Deuteronômio é o último livro do Pentateuco: representa as leis – atualizadas, pois os legisladores sacros tinham a consciência da evolução do tempo – e termina com a morte de Moisés, vislumbrando a chegada dos judeus à Terra Prometida.

Josué que derrubou as muralhas de Jericó a sopro de trombetas e assumiu a chefia do povo hebraico depois de Moisés, é o protagonista do livro seguinte, que leva o seu nome.

E o de Juízes, que vem logo a seguir, mostra – através de vários episódios épicos – como os hebreus se estabeleceram na terra de Canaã, lutando vitoriosamente contra os inimigos, graças ao valor de heróis como Sansão – cuja história todo mundo conhece – e de seus juízes, entre os quais se destaca uma mulher – Débora.

A época seguinte, durante a qual Saul e Davi instalaram a monarquia entre os hebreus, é descrita nos Primeiro e segundo Livros de Samuel.

Os Primeiros e Segundo Livros dos Reis, referem-se ao reinado de Davi e Salomão, e a posterior evolução do reino dividido, até a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor.

Os dois Livros de Crônicas retomam a história toda – do Gênesis ao exílio babilônico, seguindo-se a narração até a volta dos judeus e a reconstrução do templo de Jerusalém. Essa epopéia é narrada nos Livros de Esdras e Neemias – líderes judaicos daquele tempo. Até aqui, a ordem dos livros é igual para os judeus e os cristãos. Mas a partir daqui, muda.

O Cânon católico coloca aqui os as grandes histórias individuais: a de Tobias – e caráter espiritual; a de Judite e Holofernes – de caráter patriótico; a de Ester de caráter nacional, que fecha a série de obras de narrativas históricas. E volta-se à história com dois Livros de Macabeus que narram a evolução do Estado judaico a partir da revolta contra a religião grega até a dinastia amonéia nos tempos pré-cristãos.

Poesia e didática vem a seguir. O primeiro destes é Jó, figura de inegável paciência, que foi duramente provado por Deus, mas que jamais perdeu a fé.

O Livros dos Salmos apresenta 150 poemas de vários autores, principalmente do rei Davi, de profundo caráter espiritual e religioso. O livro de Provérbios, logo em seguida, atribuído a Salomão, mas na realidade muito posterior a este, reúne as máximas e sentenças do famoso rei, que em matéria de sabedoria ultrapassava a todos os sábios do oriente.

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Outro livro – o Eclesiastes – apresenta os pensamentos filosóficos surgidos nas reuniões da época. O Cânticos dos Cânticos, igualmente atribuído a Salomão, é um drama lírico de amor entre dois jovens, que no entender dos exegetas, simboliza as relações entre os fiéis e Deus.

Seguem-se os livros Sabedoria e Eclesiástico. Após a poesia, vem a profecia, nos livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel – os “profetas maiores”. Os ensinamentos dos “menores”. Os quais, por serem muitos sucintos, surgem reunidos num só compêndio: Baruc, Oseás, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias, Macabeus.

O NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento, que só se inclui nas Bíblias cristãs, inicia-se com o nascimento de Jesus, e é constituído pelos quatro evangelhos – as “Boas Novas”. Muitos descrevem as Boas Novas da vinda de Jesus ao mundo, mas somente quatro evangelhos são considerados de inspiração divina. Mateus, Marcos, Lucas e João são os seus autores. Os demais são apócrifos. Por se tratarem de acontecimentos similares, são chamados de sinóticos.

Além dos evangelhos, Lucas reuniu em um livro, que também foi integrado na Bíblia, os fatos da Igreja primitiva e sobretudo as pregações de Pedro e Paulo: os Atos dos Apóstolos. A última parte reúne as Cartas de Paulo, Pedro, João, Judas e Tiago, dirigidas às várias comunidades cristãs da época.

O último livro é o Apocalipse, que contém uma revelação de Jesus ao apóstolo João (?), em formas de sete mensagens às sete igrejas da Ásia Menor, simbolizam a cristandade. O conteúdo do Apocalipse é uma profecia sobre a Igreja, suas lutas e vitórias, o aniquilamento de seus inimigos, seus destinos na terra e sua eterna bem-aventurança no céu.

Namastê!

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