O MAIS SAGRADO DOS NÚMEROS


Desde tempos imemoriais o sete foi considerado um símbolo soberano e enigmático. Observando a natureza e reparando os fenômenos, o homem logo tratou de associar o número aos mistérios.

Segundo Desmond Varley, o sete está profundamente enraizado no inconsciente coletivo. Simbolicamente, ele é o número mais significativo para a civilização, em diferentes épocas e lugares do mundo. Carl Gustav Jung, o criador do conceito de Inconsciente Coletivo, não chegou a investigar profundamente o número sete, mas destacou-o através do relato de terceiros. Em um de seus casos clínicos, o paciente sonhou com seu pai gritando: "este é o sete!". Jung observa que "na linguagem da iniciação, o sete significa o mais alto estado de iluminação e seria, portanto, o cobiçado objetivo de todo o desejo". Além de reconhecer a importância deste número, Jung refere-se a ele em seus escritos como a um dado que de alguma forma lhe escapou e cujo significado não pode ser totalmente apreendido. Isto lhe causava um sentimento de incapacidade, de como situar o sete no esquema de suas teorias.



Para Freud, o número três é um símbolo do masculino e o quatro, do feminino. Nas tradições herméticas, no entanto, eles representam, respectivamente, o Céu e a Terra. O sete, resultado da soma de ambos, é o número do completo, o que explicaria a razão de sua importância.

Na Aritmética, ele é o único dos números fundamentais do sistema decimal que não é nem múltiplo e nem divisor de nenhum outro de 1 a 10. Os maçons o chamam de "Equilíbrio", pois é resultante da soma de números dessemelhantes: 1 + 6 = 7; 2 + 5 = 7; e 3 + 4 = 7. Em um dos Graus Maçônicos, uma escada dupla com sete degraus de cada lado simboliza a subida do homem em busca da Perfeição.


A escada: símbolo do suporte imaginativo da ascensão espiritual
 

O NÚMERO DA TOTALIDADE DA VIDA

A respeito da vida e de suas divisões, observou-se que desde o nascimento à morte, o homem podia medir-se pelo número sete, pois logo depois do nascimento, a sétima hora era decisiva para saber se a criança viveria. Em sete dias o cordão umbilical deveria cair. Em catorze dias os olhos deveriam seguir a luz. Em vinte e um dias a criança deveria mover a cabeça. Nos primeiros sete anos nasceriam os dentes; às duas vezes sete semanas a criança se sentaria com firmeza e a três vezes sete meses começaria a falar. A quatro vezes sete meses o bebê andaria desembaraçadamente. No segundo período de sete anos viria a capacidade de gerar; no terceiro período de sete anos nascia a barba nos homens; no quarto período de sete anos o seu vigor atingiria o máximo; no quinto período de sete anos provavelmente se casaria; no sexto período de sete anos ocorreria o apogeu da inteligência; no sétimo período de sete anos chegaria a maturidade e no oitavo período de sete anos, a perfeição. No nono período de sete anos conquistaria o equilíbrio e a brandura, pois as paixões se tornariam mais tranquilas. No décimo período de sete anos chegaria o fim de uma vida desejável.



Através desse complexo raciocínio, ficou evidente que sete era - ao mesmo tempo - o numero da totalidade, do fim e do reinício de um ciclo. Isso fica muito claro no meu arquivo chamado o 👉 Ciclo dos Sete Anos. Vale a pena reler.

Pitágoras afirmava que "os sete modos sagrados, emanados das sete notas, correspondiam às sete cores da luz, aos sete planetas e aos sete modos da existência".

No folclore brasileiro, uma lenda dizia que se uma mulher tivesse sete filhas e, depois, um menino, esse último se transformaria em Lobisomem nas noites de lua cheia. A besta então correria sete regiões, sete igrejas, sete vilas e sete encruzilhadas. E por onde passasse, açoitava cães, apagava todas as luzes e uivava de forma aterrorizante. 

Lobisomem: o sétimo filho que nunca foi batizado

Nosso aparelho vocal é capaz de emitir sete tons ou sete inflexões: agudo, grave, circunflexo, áspero, brando, longo e curto. E não podemos esquecer das sete notas musicais (dó, ré, mi, fá, sol, lá si). 

Um carneiro tem só uma voz enquanto vivo, mas depois de morto emite sete sons; seus chifres fazem as trombetas, os ossos de suas coxas duas flautas, a pele serve para um tambor, o intestino grosso fornece as cordas da lira e o intestino delgado as cordas para a harpa. Aliás, a lira tinha sete cordas, correspondendo aos sete primeiros planetas – que emitidos formam a Música das Esferas.

Sete são os principais chacras. Alá criou sete paraísos, segundo o Corão. E nenhum muçulmano podia entrar na Caaba sem que desse sete voltas em torno do venerável templo.

AS SETE MARAVILHAS, NA LITERATURA E EM FILMES

Nos contos de fada, o número sete também está presente. Em Branca de Neve, a protagonista, perdida numa floresta, é acolhida por sete anões que fazem parte da mesma família. Dificilmente alguém se lembrará do nome de todos eles, mas ninguém se esquece de que eram sete. O Gato de Botas possuía botas de sete léguas; e o Pequeno Polegar tinha sete irmãos que se casaram com sete irmãs.

O gato e as botas de Sete léguas: conto infantil de Charles Perrault

No cinema, o número sete protagonizou obras memoráveis, como o suspense policial "Seven", de David Fincher, que abordava os sete pecados capitais: orgulho, cobiça, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Na famosa série 007, um agente especial enfrentava grandes perigos, conquistando belas e misteriosas mulheres...

Não podemos esquecer das Sete Maravilhas do mundo moderno: o Coliseu de Roma, as Pirâmides de Chichén Itzá, Machu Picchu, o Cristo Redentor, as Muralhas da China, as Ruínas de Petra e o Taj Mahal, pois elas se somaram a outras Sete Maravilhas do mundo antigo (as Pirâmides do Egito; os Jardins Suspensos da Babilônia; o Túmulo de Mausolo; o Templo de Diana em Éfeso; o Colosso de Rodes; a Estátua de Zeus; e o Farol de Alexandria). Todas ajudaram a mistificar esse número.



NA TRADIÇÃO JUDAICO-CRISTÃ

O misticismo profético apropriou-se desse número para divulgar as mensagens do Livro do Apocalipse: sete visões, sete candelabros, sete estrelas, sete anjos, sete trombetas, sete chifres, sete cálices, sete reis, sete pragas, sete selos, sete trovões, um carneiro com sete olhos e (ufa!) uma besta de sete cabeças!

O sete se repete continuamente no Antigo Testamento: Deus ordena que Noé leve na arca sete pares de animais. No sonho do faraó fala-se de sete vacas gordas e sete vacas magras, o que é interpretado por José como sete anos de abundância e sete de escassez. Moisés esperou sete dias no Monte Sinai antes que Jeová lhe revelasse os Dez Mandamentos.

Apocalipse: a prostituta montada na Besta de Sete-cabeças

Segundo o profeta Isaías (cap.9, 2), havia os sete dons do Espírito Santo: Sabedoria, Inteligência, Conselho, Fortaleza, Conhecimento, Piedade e Temor do Senhor. Na tradição judaica este número está frequentemente vinculado direta ou indiretamente, aos seis dias em que Deus criou o mundo, descansando no sétimo.

A Lei Mosaica estabeleceu uma semana de sete dias, com um descanso - o sabath. Os hebreus deveriam semear a terra e colher seus frutos durante seis anos, deixando que ela descanse no sétimo. Ao fim de sete anos os escravos hebreus teriam que ser liberados e os devedores isentos de suas dívidas. Além disso, a cada sete períodos de sete anos (ao todo 49), celebrava-se um jubileu, costume que perdura até os dias de hoje.

Os evangelhos sinópticos dão melhor ênfase a este número. Segundo Mateus e Marcos, Jesus multiplicou sete pães para quatro mil pessoas, e as sobras encheram sete cestos. Quando perguntaram a Jesus se é necessário perdoar 7 vezes, Ele respondeu que devemos perdoar não apenas sete, mas setenta vezes sete! Cristo fala sete vezes enquanto está pregado na cruz. Na pesca milagrosa, Jesus está acompanhado por sete discípulos. Mas é nos livros do apóstolo João que este número ganha importância fundamental. Tiago (cap. 3,17) fala em sete caracteres da Sabedoria: pura, calma, cortês, misericordiosa, tolerante, correta, sincera.



A oração do Pai Nosso começa com uma evocação e termina com um ritualístico amém (assim seja), contendo, neste caso, sete súplicas. O número sete rege as qualidades abstratas instituídas pela Igreja: sete virtudes, sete pecados, sete sacramentos, etc.

Os sete dias da semana têm sido dias santificados: Domingo pelos Cristãos; Segunda-feira pelos gregos; Terça-feira pelos Persas; Quarta-feira pelos Assírios; Quinta-feira pelos Egípcios; Sexta-feira pelos Turcos; e Sábado pelos Judeus.

O MAIS SAGRADO DOS NÚMEROS

Mesmo ocupando um lugar de destaque na história da humanidade, o número sete continua sendo um enigma. Sem uma lógica específica, ele é, sem dúvida, o mais venerado de todos os números. Ele não se encaixa nas teorias de Jung, pois historicamente seus limites geográficos e culturais o impedem de atuar como arquétipo universal (um bom exemplo é a interpretação correta da sétima carta do Tarô, O Carro). Apesar de também não se adequar ao esquema de Helena Blavatsky, que nos fala das sete raças antigas, este número pode ter alguma relação com suas ideias. Acredita-se que o sete pode ter sido o número chave de uma antiga civilização desaparecida, que deixou vestígios entre os povos localizados nas regiões da Grécia até o vale do Indo.

Priom
PRIOM
Numerólogo e Espiritualista. Um Filho de Xangô que acredita no Crescimento e na Transformação Espiritual do seu semelhante. Se quiser saber mais sobre mim e o blog clique aqui.

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