8 de abril de 2012

Carma

Toda vez que passamos por alguma adversidade ou sofrimento temos a tendência de dizer que somos "vítimas" do Carma. Outro dia, por exemplo, alguém reclamou que a vida era um desastre: nada dava certo. Tudo que tentava fazer não conseguia realizar. No final da conversa, concluiu: "Sabe de uma coisa, meu amigo? O meu carma é pesado demais!"...

Mas, o que é Carma? E por que atribuímos a ele os nossos erros?

A primeira coisa que devemos fazer é compreender o que é Carma. A palavra vem de karman, "ação" em sânscrito, antigo idioma dos indianos, que define uma correspondência em que recebemos de volta tudo de bom ou de ruim que proporcionamos aos outros. Também conhecida como a lei da causa e efeito, ela determina aquelas experiências pelas quais todos nós teremos de passar, independente de querer ou não. A qualidade dos nossos gestos condiciona não só as nossas vidas, mas também as existências futuras. Por isso, o Carma está ligado à teoria da reencarnação.

A convicção do Carma permeia o Hinduísmo, religião surgida na Índia há 2000 mil anos, e do Budismo, cerca de 500 anos mais tarde. As duas religiões defendem que a alma passa de corpo em corpo, num ciclo contínuo de nascimento-morte-renascimento - que se denomina Samsara - até que, livres dos testes e das provações, encontram-se com o divino.




O Espiritismo, doutrina fundada por Allan Kardec no século XIX, também afirma que os seres humanos são espíritos reencarnados a caminho da evolução. O Cristianismo rejeita a reencarnação, mas defende que pagamos pelas conseqüências dos maus atos nesta vida - segundo sua tradução da lei de causa e efeito. Para aqueles que não acreditam em outra existência, fica difícil aceitar qualquer argumento ou explicação milenar - como se não bastassem as responsabilidades desta vida. Mas será que ao nascer viemos com alguma missão neste mundo?

COMPREENSÃO E AUTO-ANÁLISE

São baseadas nessa contextualização (que o Carma é uma missão que o universo coloca sobre nossos ombros) que muitas pessoas acabam se utilizando da palavra "carma" como desculpa para os seus erros e insucessos. Muitos psicanalistas afirmam que a aplicação desse termo se deve a uma paralisação interna que se dá pelo receio de serem julgadas durante o processo de crescimento. Essas pessoas acabam por preferir nada fazer para não arriscar errar e se tornam adeptas de um imobilismo, que quando não impede, dificulta bastante o progresso. São exatamente esses indivíduos que tendem a dizer (e repetir) que são vítimas de um "carma", de um "mal de família", que as arrastaria para o fracasso. Insistem na alegação de serem vítimas das circunstâncias ou vítimas de uma sociedade perversa que conspirou ferozmente contra si. Não é raro, acreditarem que algum inimigo seja capaz de reproduzir magias para afastá-las da felicidade e das amizades. Soma-se a isso a aproximação de um falso interlocutor do além, de um embusteiro espiritual que confirme essa possibilidade através de uma consulta... e a tragédia está completa!

Infelizmente sou obrigado a chamar esses embusteiros de médiuns oportunistas - se bem que nem todos são capazes de estabelecer o caos e se aproveitar da fragilidade psicológica do consulente. Não obstante, todos sabem muito bem do que estou falando. A Verdadeira Magia caminha lado a lado com a interpretação dos fatos, pois a maioria das pessoas que procuram ajuda espiritual, através de uma consulta espiritual, tende a fazer as mesmas perguntas:

  • Por que tudo dá errado em minha vida?
  • Por que não consigo um trabalho à altura de minha capacidade intelectual?
  • Por que não consigo encontrar alguém que respeite e valorize o amor verdadeiro?
A primeira coisa que devemos reconhecer que há ocasiões - e acontece com todos nós - em que nos vemos envolvidos num clima de "coitadinhos" e nos queixamos de que as coisas continuam estagnadas. É natural lamentarmos a má sorte, condenarmos a si mesmos por não estarmos à altura das nossas expectativas. Entretanto, os argumentos que algumas pessoas dão às perguntas supracitadas são basicamente as mesmas: "Sou assim porque vim de uma família pobre"; "Não consegui realização profissional porque nunca tive uma oportunidade na vida". "Os meus pais nunca me deram a atenção que eu precisava na juventude". "Todos são falsos!". Mas quantas pessoas nasceram em uma família pobre e conseguiram vencer suas dificuldades? Quantas pessoas conseguiram um lugar no mercado apenas por demonstrarem sua competência profissional? Quantas pessoas no mundo buscam a sinceridade e o amor e encontram? O que podemos fazer quando essas emoções destrutivas tomam conta de nós?

Primeiro, tomar consciência de que a "autopiedade" é o resultado de nos compararmos com as outras pessoas ou com qualquer padrão social que julgamos modelo de perfeição - que deveríamos ter alcançado e não conseguimos. O que se deve fazer nessas ocasiões é lançar um novo olhar sobre as circunstâncias da nossa vida. Pense sobre sua própria vida e tente enumerar quais os fatores que a limitam. É falta de iniciativa? Falta de engajamento? Falta de vontade? Viva o seu sonho!

Para cada história que propuser ouvir sobre as pessoas próximas, você encontrará centenas de exemplos de superação e adequação. Tente ouvi-las e medite sobre isso. Quando analisamos o nosso progresso com honestidade e comparando nossa atuação passada com nossas atuais condições, conseguimos uma melhor perspectiva dos passos que já demos. Vendo o nosso crescimento, podemos suportar as frustrações, porque superamos as desilusões anteriores.

Lembre-se que não são os fatores externos que limitam a vida de uma pessoa. O único fator limitador para as nossas vidas é o nosso pensamento. Quando pensamos de forma limitada e negativa reduzimos a possibilidade de recriar o mundo.

Ao repensar os nossos erros a primeira reação é culpar o próximo: o ego nos faz sentir importantes e, conseqüentemente a principal vitima dos outros. Lembre-se: o ressentimento é um sentimento de resistência e de uma não-aceitação de um fato que não aconteceu - como o fato de não ter nascido numa família rica ou conseguido amar alguém especial. Esses são exemplos folclóricos de "carma" - ou de situações que não se adequaram às suas expectativas. Quando esse tipo de ressentimento se transforma em hábito, fatalmente se transforma em autopiedade.

É muito importante não esquecer que, enquanto cultivarmos qualquer tipo de ressentimento, seja social ou familiar, nunca seremos totalmente independentes, livres e felizes. Terminaremos repassando o controle da nossa vida para outra pessoa, circunstâncias ou para um evento - nesse caso o CarmaTente reconhecer o caminho da satisfação nas coisas simples da vida. Procure ler esse artigo sobre aquilo que chamamos felicidade.


SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR DESSE ARTIGO
Pryom PRYOM é Numerólogo, Médium Espiritualista e Filho de Xangô. Ministra palestras sobre Numerologia e encontros sobre o autoconhecimento humano. Se quiser saber mais, clique aqui. Se gostou do blog assine para receber os próximos artigos.

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