14 de novembro de 2012

A Inveja é...

Um dos piores sentimentos que alguém pode carregar no coração é a inveja. Não serei hipócrita em dizer que nunca invejei ninguém. Já senti inveja dos pássaros e nem por isso desejei arrancar-lhes as asas; já senti inveja dos peixes, mas jamais lhes secaria o mar. Como vedes, nunca desejei mal a outrem. A inveja que me acomete é pura, inocente. Diria que é um sentimento de surpresa misturado de prazer, uma inveja positiva, uma admiração motivadora que seduz, arrasta e tenta reproduzir o que de melhor a outra criatura representou.

Zuenir Ventura conseguiu distinguir os três principais sentimentos que rondam a mente doentia do homem: o ciúme, a cobiça e a inveja. Segundo o renomado jornalista, ter ciúme é querer manter o que se tem; cobiçar é querer o que não se tem; e a invejar é... não querer que o outro tenha!

A inveja é um dos sete pecados capitais. Em latim significa "vontade de não ver". Conta-se que a Inveja, filha da Noite, (foto ao lado) era uma deusa muito má. Era representada com a cabeça cheia de serpentes, estrábica, feia e despeitada. Tinha em uma das mãos uma víbora que lhe sugava os seios murchos (daí a origem da palavra "despeito"). Os antigos mestres souberam muito bem criar uma imagem simbólica deste sentimento nocivo que tantos prejuízos deu à humanidade. Se Caim se propusesse a ler isso, talvez tivesse um álibi perfeito quanto à morte do irmão e não passaria para história como o primeiro despeitado. Bastaria alegar pelo outro uma admiração e não terminaria estigmatizado como fratricida.



Até hoje sofro por ser alvo dos invejosos. Desde criança fui vítima desse mal e - acredite - nunca fiz nada para cultivar o despeito dos meus colegas. Lembro que foi nessa época que comecei a me queixar em casa do bullying que sofria: tirando o período das provas, eu era malquisto o tempo todo. Ninguém enxergava em mim a neutralidade, a disposição natural para a amizade. Como o meu pai era umbandista, passei a receber dos Caboclos e dos Pretos Velhos a freqüente recomendação de banhos de ervas, sal grosso e defumações. Na vida adulta não mudou muita coisa: a inveja passou a ser minha perseguidora e dela fujo até hoje. Não à toa, minha mãe proibia que eu aceitasse alimentos de qualquer pessoa. Incutiu em mim essa desconfiança, talvez influenciada pelo Livro dos Provérbios: "Filho, não comas o pão daquele que tem mau-olhado". Se a Bíblia recomendava esse remédio, dizia ela, por quê não se prevenir?

Quem me conhece sabe que sou um tolo, desprovido de maldades. Tenho horror de gente dissimulada, que tem como o hábito o culto à Filha da Noite. Aqueles que não têm competência são bem capazes de prestar-lhe sacrifícios. Fingem amizade sincera, te elogiam, compartilham de suas festas, comem, bebem, comemoram sua vitória, mas lá no fundo, torcem o nariz, praguejam a sua sorte, subtraem dez por cento de sua felicidade. Ainda bem que possuímos a intuição e podemos identificá-los. De amigos nocivos quero distância! Infelizmente até nos cultos existe esse mal sistêmico. Se optei pela reclusão temporária dos templos foi para me resguardar: sem ter a quem caçar, os despeitados ficam às cegas; mesmo tendo os olhos grandes, enormes, não te enxergam - mas mesmo assim falam à distância.

No mundo islâmico o mau-olhado é uma expressão muito comum. Ela simboliza uma tomada de poder sobre alguém ou alguma coisa, por inveja com a intenção maldosa. Os árabes chamam de ma'ian. Dizem, que quando um ma'ian olha com desejo para alguma coisa... causa um dano irreparável! A questão era saber se o olhar teria o poder de descarregar alguma substância invisível, como um veneno de uma víbora. Não é a toa que surgiram inúmeras maneiras de neutralizar esse mal. Em todas as culturas existem antídotos. Os supostos efeitos do mau-olhado podem assumir miríades de formas, desde problemas financeiros, desilusões sentimentais, enxaquecas, acidentes, fadiga e mesmo a morte.

Apesar de constantemente atribuir aos olhos a maldade humana, a maior ferramenta utilizada pelos invejosos é a boca. À reboque vem a palavra, pois é dela que partem as palavras mal ditas. Para neutralizar esse desconforto espiritual, surgiram entre os magos os filtros e os amuletos. Destes falarei nos próximos artigos.


SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR
Pryom PRYOM é Numerólogo, Médium Espiritualista e Filho de Xangô. Ministra palestras sobre Numerologia e encontros sobre o autoconhecimento. Se quiser saber mais, clique aqui. Se gostou do blog assine para receber os próximos artigos.

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