5 de novembro de 2009

Na busca do Mestre

A maioria daqueles que buscam Deus vivem se perguntando onde irão encontrá-lo! Tolice. Basta alguém apontar para uma direção qualquer e lá vamos nós nos perdendo pelo caminho. O importante é percorrê-lo, e não ficar pensando sobre ele. As pessoas quando procuram um mestre, deviam estar em busca de experiências que possam ajudá-las a evitar certos obstáculos.

Mas, infelizmente, a realidade é outra: estão usando a lei do menor esforço, tentando encontrar respostas para tudo. Quem deseja beneficiar-se de esforço do mestre para poupar suas forças, nunca chegará a lugar nenhum, e, acabará por decepcionar. Quem estudar um pouco a história de Buda, notará que, após ter atingido a iluminação, dedicou-se a fazer com que seus discípulos desenvolvessem as qualidades necessárias para alcançar a tão esperada paz de espírito.



Quem ler os Evangelhos, irá reparar que a quase totalidade dos ensinamentos de Jesus acontece em duas circunstâncias: enquanto Ele viajava, ou em torno de uma mesa. Nada de templos. Nada de lugares escolhidos. Nada de práticas sofisticadas e difíceis; os apóstolos prestavam atenção ao que Ele dizia enquanto andava, comia - algo que fazemos todos os dias de nossas vidas, e por isso mesmo não damos nenhum valor aos muitos ensinamentos que estão escondidos nas tarefas diárias. Pensamos que as coisas sagradas são acessíveis apenas para os gigantes da fé e da vontade, e achamos que aquilo que a gente faz é pobre demais para ser aceito com alegria por Deus. Em busca de nossos sonhos e ideais, muitas vezes colocamos nos lugares inacessíveis tudo que está ao alcance das mãos. Quando descobrimos o erro, ao invés de ficarmos alegres com a compreensão de nossas falhas, nos deixamos levar pela culpa de ter dado passos errados, investido nossa energia em procura inútil, ter causado desgosto a quem desejava felicidade.

E então, perigosamente, nos aproximamos dos "mestres" ou "gurus" que irão recuperar o nosso tempo perdido. Não é bem assim: embora o tesouro esteja enterrado na sua casa, você só irá descobri-lo quando se afastar. Se Pedro não tivesse experimentado a dor da negação, não teria sido escolhido como chefe da Igreja. Se o filho pródigo não tivesse abandonado tudo, jamais seria recebido com festa por seu pai. Se Buda não procurasse viver uma vida de sacrifício por muitos anos, jamais entenderia o prazer da alegria.

Existem certas coisas em nossas vidas que têm um selo dizendo: "Você só irá entender meu valor quando me perder - e me recuperar". Não adianta querer encurtar este caminho. Pensando nisto, muitas pessoas passam a vida inteira se preparando para tal encontro; quando cruzam com o mestre, entregam-se completamente - por dias, meses ou anos. Mas terminam descobrindo que o mestre não é o ser perfeito que imaginaram, e sim uma pessoa igual a todas as outras, cuja única função é dividir aquilo que aprendeu. Ao ver-se diante de uma pessoa normal, o discípulo sente-se lesado. Vem o desespero e o desejo de abandonar a busca - quando, na verdade, é assim que a coisa funciona, é isto que nos deixa livres para criarmos nosso próprio caminho.

Existe uma versão muito melhor para o tal ditado mágico: quando o discípulo está pronto, o mestre desaparece...

2 comentários :

  1. Deus é tudo, nós que somos uma centelha divina, somos parte de Deus, podemos começar procurando ele dentro de nós.
    Namaste

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  2. Meu Querido Omnaram, concordo com você. Deus está em toda parte, mas nem sempre podemos enxergá-lo na vida diária. Falta-nos um momento de reflexão, de pausa. Isso me faz lembrar uma frase muito interessante, cujo autor me é desconhecido: "Todos nós vivemos sob o mesmo céu. Mas não vivemos sob o mesmo horizonte".
    Como será que nós visualizamos o Deus Interno do outro?

    Namaste!

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