21 de janeiro de 2016

Papisa Joana, a Grande Sacerdotisa do Tarô

Reza a lenda, que a única mulher que governou a Igreja Católica Apostólica Romana durante de quase dois anos foi Joana. Ela entrou para a história conhecida como "a papisa"

A história de Joana apareceu pela primeira vez nas crônicas do século XIII e, mais tarde, se espalhou por toda a Europa. A lenda atravessou os séculos e até hoje fascina os adeptos da magia. Mas os estudiosos modernos não atribuem à ela muitos créditos. A origem da lenda, segundo eles, remonta o final do século VII, mas nenhuma evidencia histórica comprova tal relato.


Conta-se que a futura papisa era uma bela jovem chamada Gilbert, nascida em Mainz, uma antiga cidade alemã, que servia de sede universitária ao Império Romano. Em outra fonte, dizia que a misteriosa jovem era proveniente de Constantinopla (atual Istambul) e se baseava no fato que a estória havia sido alimentada pelo cisma existente entre a Igreja Cristã Ortodoxa e a Apostólica Romana. A jovem, obcecada por escapar das proibições que pesava sobre as mulheres da sua época fez-se ­passar por um rapaz; disfarçou-se como monge e adquiriu uma solida formação teológica. Subiu ao posto mais alto da hierarquia e surpreendeu os doutores com sua erudição com a impressionante capacidade de reinterpretar os antigos tratados filosóficos. Com a morte de Leão IV (847-855), seu nome foi indicado para ocupar o Trono de Pedro: a tal jovem, então, adotou o nome de Papa João VIII. Ou Papisa Joana, se assim preferir...

Dizem que a Papisa não demorou a se tornar amante de um dos oficiais da guarda vaticana; apaixonada, engravidou. Depois de ter ocultado por meses a imperfeição do corpo com bandagens, a sua identidade acabou sendo revelada quando deu à luz a uma criança durante uma procissão. A multidão reagiu indignada ao considerar que o Trono de Pedro havia sido profanado. Revoltados, apedrejaram a papisa até a morte. Há controvérsias. Outra lenda, afirma que Joana morreu de causas naturais, logo após a fuga com seu amante; uma terceira diz que foram brutalmente assassinados - inclusive a criança.

Depois desse imperdoável descuido (se é que houve, na verdade), os cardeais responsáveis por eleger os futuros Pontífices, teriam criado o curioso ritual de apalpar os órgãos genitais do representante de Deus na Terra para evitar que outra intrusa ocupasse o Trono de Pedro. De acordo com o mito, foi estabelecido que o eleito deveria obrigatoriamente sentar numa cadeira sem fundo. A cadeira permitia que um dos clérigos apalpasse suavemente o saco escrotal do futuro Chefe, certificando-se dos atributos masculinos do mesmo: "Habet duos testiculos et pendentes!" ("Ele possui duas bolas penduradas!"). Somente mais tarde proclamava solenemente a famosa frase: "Habemus Papam! (Temos um Papa!) Parece estranho, mas veja o vídeo abaixo. Eu selecionei um trecho curioso de "Os Bórgias", de 2011, protagonizado por Jeremy Irons no papel do Papa Alexandre VI. A série, muito interessante por sinal, mostra o lado obscuro da Igreja e a perversidade do papado daquele século...


Seja lá com for, a Papisa Joana foi aceita como uma lenda, embora tenha continuado a influenciar a arte, a literatura, o teatro e o cinema. Em 1866, Emmanuel Rhoides, um escritor protestante, publicou um romance polêmico chamado "A Papisa Joana", sobre uma suposta mulher que teria reinado no Vaticano por dois longos anos. Apesar de ser um drama, o livro era na verdade, uma sátira mordaz sobre a o clero. Apesar disso, Rhoides afirmava que continha provas conclusivas de que a Papisa Joana realmente existira e que a Igreja Católica tentou por séculos encobrir esse escândalo. Acabou sendo excomungado.



Existem dois filmes baseados na história da Papisa Joana: "Pope Joan", um filme inglês com Liv Ullman, Olivia de Havilland e Franco Nero, dirigido por Michael Anderson, em 1972; e "Die Papstin", um filme alemão de 2009, do diretor Sönke Wortmann; esse último pouco conhecido no Brasil. Somente o primeiro está disponível na internet - mas dublado em alemão!

NA MÃO DOS ILUSTRADORES E DOS TARÓLOGOS

Essa história foi imortalizada no arcano número 2 do Tarô. Existem dezenas de baralhos e vários deles podem ser vistos em museus ou em reproduções de livros. Cada artista se empenhou na confecção desses jogos colocando nas cartas um pouco da sua visão de mundo ou das concepções predominantes em sua época. A imagem ao lado, "A Papisa", por exemplo, é inspirado no tarô de Marselha: uma mulher sentada confortavelmente em um trono, também chamada a Grande Sacerdotisa. Os tarólogos sabem que a lâmina invoca os ideais da força feminina e possui inúmeras significações, mas alguns ocultistas afirmam que as primeiras ilustrações desse arcano substituía o livro aberto em seu colo por uma criança pequena. Nada mais sugestivo para uma arcano que representa simbolicamente o verdadeiro sacerdócio da Mulher - a eterna antítese da Existência e da Essência.



SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR DESSE ARTIGO
Pryom PRYOM é Numerólogo, Médium Espiritualista e Filho de Xangô. Ministra palestras sobre Numerologia e encontros sobre o autoconhecimento humano. Se quiser saber mais sobre ele, clique aqui. Se gostou do blog assine para receber os próximos artigos.

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