22 de outubro de 2009

O Inferno - parte I

Já que o demônio não fala muito por si mesmo, o homem começou a buscar toda e qualquer referência a respeito do Inferno. A maioria das religiões possui aquilo que é chamado um lugar de castigo, para onde se dirige a alma imortal depois de haver cometido certos crimes contra a sociedade (tudo parece ser uma questão de sociedade, não de indivíduo). 



Cada cultura também desenvolve sua visão particular desta terra de suplícios: pode ser a outra margem de um rio, onde um cão de três cabeças não permite que ninguém saia; ou o purgatório. Para o herói grego Prometeu, que roubou o fogo dos deuses e o entregou ao homem, o inferno foi ficar amarrado em um despenhadeiro, onde todos os dias um pássaro vinha comer seu fígado. Jean-Paul Sartre diz, em sua peça "Entre quatro paredes", que o inferno são as outras pessoas. Jorge Luis Borges, em um poema, dá uma descrição interessantíssima do que nos espera além da vida: a eterna contemplação de um rosto. Para certas pessoas, isso será o paraíso, pois este rosto será de alguém que amamos, enquanto para outras será o inferno, pois terão que ficar sempre olhando a face de quem feriram sem qualquer motivo em algum momento da vida. O inferno para outros serão as escolhas. A sabedoria árabe descreve que uma vez fora do corpo, a alma deve caminhar por uma ponte tão fina como um fio de uma navalha, tendo do lado direito o paraíso, e do lado esquerdo uma série de círculos que conduzem à escuridão no interior da Terra. Antes de cruzar a ponte - não se sabe o seu fim - cada um carrega suas virtudes na mão direita, e seus pecados na esquerda. O desequilíbrio fará com que caia do lado que foi determinado pelos seus atos na terra.

Namaste!

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