4 de dezembro de 2016

Oxum - O Orixá Regente de 2017

Há uma cena no filme chamado "Voyage of Time", em que o Homo sapiens vê pela primeira vez sua imagem refletida num rio de águas agitadas. Como se depara com um rosto distorcido no espelho d'água, ao invés de admirar, como Narciso, ele se assusta. Assim como o homem primitivo retratado no filme, vários outros personagens - infantis ou mitológicos - também se espantaram, foram capturados ou seduzidos por um espelho (specullu, em latim). O filme de Terrence Malick é um belo exercício metafórico para podermos entender as previsões que Oxum trará para 2017.

ESPELHO, ESPELHO MEU!

É engraçado como desde crianças adoramos nos ver refletidos. Bem antes do fascínio das imagens, a especulação era o ato de observar os movimentos das estrelas. Como as estrelas espalhavam a beleza luminosa no firmamento, logo os homens caíram na tentação de roubar delas a luz. Não é a toa que esboçamos um sorriso diante dos espelhos. Somos brilhantes como as estrelas, confiantes e belos - daí a autoestima. Os grandes artistas da pintura sempre buscaram a imortalidade e o brilho através do autorretrato. Hoje, no tempo dos selfies, o autorretrato é um dos exercícios favoritos dos anônimos. A tecnologia transformou a maneira de contemplar o nosso próprio reflexo: basta estendermos o braço com o celular na mão, fazer uma careta e compartilhar a imagem com o maior número de pessoas possível. Esse é com certeza um exercício lúdico e narcisista que tenta desesperadamente alimentar o ego. 


Para muitos, a beleza uma questão de ponto de vista. Dizem os psicólogos, que os espelhos designam o aspecto obscuro das coisas: imagem e reflexo são inseparáveis e o ritmo do mundo é o ritmo dessa alternância. Os espelhos mostram a causa dos atos passados e sempre foram identificados como objetos mágicos que servem para interrogar a si mesmo. A face que projetamos nele será sempre o resultado daquilo que somos internamente. E isso nos aterroriza.

É fato que para os Orixás, os conceitos de perfeição e beleza não se enquadram nos padrões como nós percebemos: os Orixás são forças naturais que agem - não somente na Natureza - mas inclusive na nossa psique. Todos os defeitos que temos são também comuns a eles. A única diferença é que os Orixás são dotados de Sabedoria, Força e Beleza - daí o significado diferenciado, fascinante e equivocado que alimenta o ego daqueles que dizem ser seus "filhos". Muitos ignoram essa interpretação, mas os alguidares que servem de intercambio com essas Forças são caldeirões ativos onde se misturam texturas, sabores, e aromas. Ali se misturam, também, atitudes muito humanas como o ciúme, o despeito, a angústia, o egoísmo, o narcisismo e a ausência de autoestima.



Ninguém duvida, por exemplo, que as cachoeiras são belas obras naturais. Entretanto, poucos percebem que as cachoeiras - o domínio de Oxum - são rios verticais, que despencam no vazio, se arrebentam nas pedras para logo à frente se ajustarem num novo ritmo. CAIR na natureza é uma questão gravitacional. A "beleza da queda" é um mero ponto de vista. Mas na vida ninguém quer - literalmente - "cair". Na vida a "queda" é a pior das experiências.

OXUM REINARÁ ABSOLUTA EM 2017?

Associada à beleza, Oxum é comumente lembrada como uma mulher sedutora e vaidosa que costuma mirar seu espelho - o abebê. Oxum reflete não apenas o seu gosto refinado, mas principalmente tudo que lhe é caro e luxuoso. Criado exclusivamente para alimentar o seu ego, o abebê cintila como a superfície das águas doces, e todas as perguntas que Oxum costuma fazer se inscrevem pelo seu reflexo.

Entretanto, em 2017 ela não se apresentará normalmente como a conhecemos. Diferentemente dos outros anos, Oxum surgirá velha, rancorosa, autoritária e desprovida de maquiagens. O que se perceberá nela é a força, o fluxo e a densidade das águas e - inclusive - a profundidade do rio. Desta forma, ela personificará uma rainha que viveu o auge da juventude que ressente o passado, lamenta o presente e teme as incertezas do futuro. 

OXUM ATRAVÉS DO ESPELHO

Todos sabem que a autoestima é a fonte de nossa segurança para enfrentar os problemas diários. A promessa de poder, amor, riqueza e status social é uma forma de sedução que age o tempo todo em nossa cultura, principalmente na publicidade. Por isso, a autoestima estará sempre associada ao sucesso afetivo e profissional.  


Há muito vivemos um tempo sem memória, um passado que não se cristaliza e um amanhecer que parece não ter futuro. Diariamente nos defrontamos com o lado escuro da natureza humana. Sempre que abrimos os jornais, ligamos a tevê ou ouvimos o noticiário o efeito repulsivo do espelho nos aterroriza. Somos, ao mesmo tempo, repelidos e atraídos pelo caos. A polarização que o homem experimenta atualmente ajuda a explicar a representação simbólica daquilo que se encontra do outro lado do espelho. Somos o tempo todo impulsionados para o mal; somos o tempo todo desencorajados nas tomadas de decisões. Somos proibidos de ousar. Como o Homo sapiens que se assustou com sua imagem tremulante, o homem moderno ainda se assustará com as coisas que ele desconhece sobre si mesmo.

É muito importante lembrar que ao Elemento Água é atribuído o poder da renovação das energias física e emocional. Oxum vai oferecer determinação para romper todas as dificuldades, pois a água - visto pelo aspecto ocultista - representa a MOTIVA-AÇÃO do inconsciente. O único problema será para aqueles agirem dominados pelo reflexo: serão críticos implacáveis e culparão os outros por suas próprias faltas. Vem daí o rancor de uma Oxum exigente e muito mal-humorada que seremos obrigados a compreender. Veja as previsões de 2017 clicando aqui.



SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR DESSE ARTIGO
Pryom PRYOM é Numerólogo, Médium Espiritualista e Filho de Xangô. Se quiser saber mais, clique aqui. Se gostou do blog assine para receber os próximos artigos.


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