12 de janeiro de 2014

O Ano Universal 7

No universo da comunicação subjetiva, às vezes, um pequeno gesto pode significar mais do que mil palavras. O carisma, o olhar e o sorriso do Papa Francisco foi um exemplo óbvio em sua recente visita ao Brasil. Um afago pode expressar o calor que uma palavra rebuscada jamais conseguiria transmitir. Ora, quando nos comunicamos, compartilhamos ideias, preferências, juízos ou desejos. É através dessa interação que objetivamos um produto comum: a afetividade. Parece óbvio que o desejo de se afeiçoar seja o impulso de qualquer relacionamento. Afinal, é do afeto se culmina o respeito, o amor - ou em muitos casos - a amizade. Infelizmente, hoje em dia, as pessoas não mais se abraçam e as afeições se restringiram às mensagens lacônicas e reticentes nas redes sociais. A comunicação entre as pessoas – se era antes complicada -, ficou reconhecidamente mais difícil!



No final do ano passado eu publiquei as previsões sobre o Ano Universal 7 que influenciariam 2014 deixando graves sequelas nos ciclos seguintes. Nelas, afirmei que, cada indivíduo deveria buscar o bom-senso e autocrítica para reencontrar harmonia interior, pois ao contrário do que o Número Sete apregoava, a conexão com a divindade ficaria abaixo da média.


Nada mais preocupante: a fé e a espiritualidade correm um sério risco de serem substituídas por uma filosofia consumista baseada exclusivamente no endeusamento da tecnologia. Numa visão apocalíptica, o homem tenderia a criar um grande paradoxo existencial: a substituição da palavra e do afeto pelo silêncio eloqüente dos aplicativos eletrônicos.

GERAÇÃO "F5"

Atualmente as pessoas caminham cabisbaixas, fascinadas pela tela luminosa dos seus celulares. É indiscutível que esses aparelhos são úteis, modernos e tão maravilhosos, que há dez anos era impossível concebê-los – a não ser em livros de ficção científica! Todavia, o que devemos reconsiderar é a participação afetiva desses aparelhos em nossas vidas. Principalmente quando perdemos a noção entre o que é real e o que é virtual.

A avalanche informacional modificou a estrutura do nosso afeto a ponto de alguns estudiosos classificarem a nova geração de “F5”, em referência à tecla “atualizar” do computador. Para eles, a principal característica dessas pessoas é a necessidade de estarem sempre conectadas. Difícil é encontrar alguém que tenha acesso a computador e internet e que não possua um perfil em uma rede social. O Brasil é o segundo país em número de usuários do Facebook, atrás apenas dos Estados Unidos, onde a rede social foi criada.

CURTINDO E COMPARTILHANDO

As redes sociais criaram uma nova forma de sociabilidade e usá-las gera status; possuir um celular moderno, idem. O consumismo tecnológico exige usar um modelo novo de smartphone ou marcas que alguma pessoa famosa esteja usando. Exibir-se em público com o melhor aparelho ou estar numa rede social transforma o indivíduo em símbolo identificável na sociedade consumista. 

É indiscutível que as mídias sociais se tornaram ferramentas dinâmicas e elas modificaram a maneira de se comunicar. Pena que existam contra-indicações: algumas páginas, por exemplo, são criadas sem nenhum critério; memes são veiculados com o simples propósito de distribuir desaforos, alguns com a descarada intenção de fazer expressar aquilo que a maioria jamais teria coragem de dizer na presença do desafeto. Tão preocupadas em existir, as pessoas estão perdendo um tempo valiosíssimo em que poderiam estar exercitando a racionalidade para serem realmente felizes. Alguns se exibem, posam sorridentes, fazem selfies experimentando o melhor ângulo diante do espelho. Contraditoriamente exibem o lado mais solitário do coração.
Charge de Bruno Drummond publicado na Revista O Globo

DOENÇAS MODERNAS

Com a disseminação da tecnologia digital nos tornamos escravos do presente. Para o homem moderno, todos os problemas parecem urgentes, mas ninguém sabe qual deles resolver primeiro! O mundo digital modificou a nossa relação com o tempo. Vivemos a cultura do imediatismo.

Alguns pensadores modernos, como o americano Douglas Rushkoff (foto ao lado), afirmam que a necessidade de estar continuamente conectado aboliu a ideia do amanhã. O tempo, segundo ele, deixou de ser linear para dar lugar a uma espécie de “presente prolongado”. Essa mudança comportamental destrói a maneira de pensar, e a reboque, a impossibilidade de manter os relacionarmos afetivos espontâneos, como a simpatia e a amizade. Para Rushkoff, essa doença - que ele chamou de digifrenia - é um mal capaz de provocar um estresse mental. Não é à toa que o principal sintoma dessa doença moderna é a reclamação da falsa sensação de que “o tempo está passando rápido demais”.

Ora, o tempo continua fluindo com a mesma velocidade de sempre. Se você já fez essa queixa, tome muito cuidado. A frustração de não conseguir estar em vários lugares ao mesmo tempo – como trabalhar, assistir a um filme, ler um livro, viajar, dirigir, digitar, enviar, responder a vários perfis em redes sociais – sem tirar os olhos de um smartphone, permite a disseminação desse mal estar. O "distanciamento humano" é o principal causador desse colapso narrativo. Estamos todos desorientados, perdidos entre o presente e o futuro. E esse é o principal perigo que me referi nas previsões do Ano Universal 7.

Outro que compartilha essa visão apocalíptica é o alemão Manfred Spitzer (foto ao lado), diretor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Ulm. O neurocientista concluiu que a maior parte das pessoas que passam o dia inteiro conectadas na internet são candidatas a desenvolver graves problemas de atenção, memória e concentração, mal que ele chamou de “demência digital”. Os sintomas da recém descrita “doença” são, segundo ele, além das perdas cognitivas, a sonolência e a depressão.


FAÇAMOS UMA PEQUENA REFLEXÃO SOBRE ISSO

O maior presente que podemos oferecer a alguém somos nós mesmos. É quando conseguimos compartilhar nossas mais profundas convicções e fracassos; ideais e desilusões; sonhos e desesperanças; perguntas e respostas.

Quando decido compartilhar tudo de mim, estou dividindo tanto o bem quanto o mal. Ao contar sobre coisas que odeio em mim, estou de certa maneira revelando o meu inimigo interno. Estou lhe dizendo que ainda sou humano e tenho muito a crescer interiormente; afinal, não sou o dono da verdade. Gostaria de lhe contar sobre tudo o que possuo de bom, pois me faria sentir muito melhor, mas mesmo assim não estaria compartilhando todo o meu Eu com você. Por isso todos os dias faço uma pequena oração com o meu Deus Interno. E essa oração diz algo parecido com o que escrevo a seguir:



“Senhor Meu Deus, hoje me contentarei em compartilhar com você tudo o que há no meu universo interior. Ouvirei a mim mesmo enquanto Lhe falo. Não me contentarei em dormir sobre os louros ou me afundar no atoleiro das tristezas. Com certeza vou melhorar como pessoa tornando-me mais consciente quando me comunicar com os outros”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No tarô, o regente de 2014 será O Carro, a carta que representa simbolicamente a caminhada do homem através do seu destino. No entanto, esse arcano também está associado ao descontrole e ao egocentrismo. Repare que dois cavalos majestosos - um branco e um negro - conduzem um jovem cavaleiro. Eles parecem divergir quanto à direção a seguir, obrigando o condutor a submetê-los à sua vontade soberana, pois é seu dever equilibrar suas forças negativas e positivas, yin e yang, trevas e luz, emoção e razão. A sétima carta do Tarô alerta para o risco dos exageros. Coincidência? Talvez.

Se faço essa reflexão é porque além de ser um Místico, sou também um profissional de Comunicação. Tenho, portanto, o dever de escrever e alertá-lo sobre os perigos que podem nos afastar definitivamente do nosso Eu Divino.



SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR
Pryom PRYOM é Numerólogo e Médium Espiritualista. Formado em Publicidade, desde jovem é empenhado em compreender a alma humana. Ministra palestras sobre Numerologia e encontros sobre o autoconhecimento. Se quiser saber mais, clique aqui. Se gostou do blog assine para receber os próximos artigos.

2 comentários :

  1. Muito bom, adorei é simplesmente o que acontece!

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    1. Maiana, a sociedade está com uma enorme dificuldade de aproveitar o presente.Vivem o paradoxo de viver o futuro ancoradas no passado: é uma loucura.

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