15 de outubro de 2013

A Sociedade dos Noventa e Nove

Era uma vez um rei muito rico. Tinha tudo. Dinheiro, poder, conforto, centenas de súditos. Ainda assim não era feliz

Um dia, cruzou com um de seus criados, que assobiava alegremente enquanto esfregava o chão com uma vassoura. Ficou intrigado. Como ele, um soberano supremo do reino, poderia andar tão cabisbaixo enquanto um humilde servente parecia desfrutar de tanto prazer?
__ Por que você está tão feliz? - perguntou o rei.
__ Majestade, sou apenas um serviçal. Não necessito muito. Tenho um teto para abrigar minha família e uma comida quente para aquecer nossas barrigas.
O rei não conseguia entender. Chamou então o conselheiro do reino, a pessoa em que mais confiava.
__ Majestade, creio que o servente não faça parte da Sociedade dos Noventa e Nove.
__ Sociedade dos Noventa e Nove? O que é isso?
__ Majestade, para compreender o que é a Sociedade dos Noventa e Nove, ordene que seja deixado um saco com noventa e nove moedas de ouro na porta da casa do serviçal.

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E assim foi feito.
Quando o pobre criado encontrou o saco de moedas na sua porta, ficou radiante. Não podia acreditar em tamanha sorte. Nem em sonhos tinha visto tanto dinheiro.
Esparramou as moedas na mesa e começou a contá-las.
__  ...noventa e seis, noventa e sete, noventa e oito… noventa e nove!

Achou estranho ter noventa e nove moedas. Talvez tivesse derrubado uma. Provavelmente eram cem. Revirou, revirou, mas não encontrou nada. Eram noventa e nove, mesmo. Por algum motivo, aquela moeda que faltava ganhou uma súbita importância. Com apenas mais uma moeda de ouro – mais um - ele completaria cem. Um número de três dígitos! Uma fortuna de verdade. Ficou obcecado por completar seu recente patrimônio com a moeda que faltava. Decidiu que faria o que fosse preciso para conseguir mais uma moeda de ouro. Trabalharia dia e noite. Afinal, estava muito, muito, muito perto de ter uma fortuna de cem moedas de ouro. Seria um homem rico, com cem moedas de ouro!

Daquele dia em diante, a vida do serviçal mudou. Passava o tempo todo pensando em como ganhar uma moeda de ouro. Estava sempre cansado e resmungando pelos cantos. Tinha pouca paciência com a família que não entendia o que era preciso para conseguir a centésima moeda de ouro. Parou de assobiar enquanto varria chão.

O rei percebeu essa mudança súbita de comportamento e chamou seu conselheiro.
__ Majestade, agora o serviçal faz, oficialmente, parte da Sociedade dos Noventa e Nove.

E continuou:
__ A Sociedade dos Noventa e Nove é formada por pessoas que têm o suficiente para serem felizes, mas mesmo assim não estão satisfeitas com nada. Estão constantemente correndo atrás desse “1” que lhes falta. Vivem repetindo que se tiverem apenas essa última e pequena coisa que lhes falta, aí sim poderão ser felizes de verdade. Majestade, na realidade é preciso muito pouco para ser feliz. Porém, no momento em que ganhamos algo maior ou melhor, imediatamente surge a sensação que poderíamos ter mais. Com um pouco mais, acreditamos que haveria de fato, uma grande mudança. Só um pouco mais. Perdemos o sono, nossa alegria, nossa paz e machucamos as pessoas que estão a nossa volta. E o pouco mais, sempre vira… um pouco mais. O pouco mais é o preço do nosso desejo.

E concluiu:
__ Essa, majestade... é a Sociedade dos Noventa e Nove.

(Autor desconhecido)

SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR
Pryom PRYOM é Numerólogo e Médium Espiritualista. Formado em Publicidade, desde jovem é empenhado em compreender a alma humana. Ministra palestras sobre Numerologia e encontros sobre o autoconhecimento. Se quiser saber mais, clique aqui. Se gostou do blog assine para receber os próximos artigos.

2 comentários :

  1. Ótimo texto ! Deixou bem claro,o maior males que prejudica o homem a "ganância."

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    1. Exatamente, Paulo! É triste; mas é a mais pura verdade...

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