9 de setembro de 2013

As Lições do Papa Francisco

É comum ouvir relatos de pessoas que abandonaram o Caminho Iniciático por divergirem ou censurarem o comportamento moral de seus líderes. Esse exemplo foi sentido pela Igreja Católica onde as denúncias de pedofilia, homossexualismo e corrupção promoveram uma considerável diminuição de adeptos. Nos pequenos centros espirituais a decepção também ocorre. No livro chamado "Aconteceu na Casa Espírita", de Emanuel Cristiano, esse cenário de corrupção moral é descrito com maestria e várias situações são levantadas.

Muitos perguntam os motivos que me fizeram abandonar os meus trabalhos espirituais. Na verdade eu não abandonei: continuo praticando a espiritualidade em meus afazeres cotidianos. Não me considero melhor do que ninguém, mas preservo o direito de não pactuar com distorções morais, compartilhar ambições pessoais ou trabalhar na manutenção do ego alheio. Sou romântico e sempre imaginei seguir o Caminho do Sacerdócio contribuindo com simplicidade e despojamento os mais necessitados.
No imaginário comum, religião é sinônimo de harmonia, amor e paz de espírito; nunca de vaidades, competitividades ou egolatrias. Em alguns segmentos religiosos assistimos ao absolutismo, a falta de sensibilidade, a falta de educação e – por incrível que pareça - a falta de simpatia.

É impressionante que nunca se cogitou encontrar entre os antigos alfarrábios a fórmula mágica para o sorriso. Será que quanto mais se eleva ao topo ficamos mais severos com o próximo? O que adianta administrar um Centro Espiritual se a simpatia se revela um miasma, um produto corrosivo capaz de separar e corromper?

Nem é preciso ser considerado um Gênio para saber que simpatia é um sentimento espontâneo em relação ao outro. Simpatia é uma motivação interna. O místico James Ingall Wedgwood definiu a simpatia como "um atributo divino". Para ele, simpatia é um poder capaz de unir os indivíduos através do amor internalizado no coração.

Existem pessoas que naturalmente se cria um vinculo harmonioso (simpatia); outras, pelo contrário, nos causam verdadeira repulsa (antipatia). É importante admitir que ainda nos falta muita coisa para chegarmos à Perfeição e aceitarmos definitivamente as diferenças entre nós, os encarnados.
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Mas o Papa Francisco nos ofereceu um curso gratuito de simpatia. Sem vaidades vazias e inúteis preferiu não estacionar nas teorias - afinal, tudo na vida exige-se praticidade, ação e objetividade. Ele sabe que o mundo está carente de pessoas informais, de pessoas que traduzam a simplicidade; ele sabe que o mundo está carente de pessoas que sejam pacientes para ouvir, que falem com um sorriso, que abracem com um gesto oportuno a eloquência do exemplo. Observando a sua figura, perguntamos de onde viria tanto entusiasmo?

O padre, bispo e cardeal Bergoglio foi um grande praticante do ecumenismo. Ele sabe que o mundo atual é pluralista, complexo, inseguro de si mesmo. E compreende que a filosofia espiritual estudada em todos os rituais canônicos não possui contato com a realidade e se distanciam cada vez mais do homem. Soma-se a isso o despreparo humano, a falta de educação, a falta de respeito e teremos como resultado o caos. Enclausurado em sua religião egoísta o homem moderno se arma da Fé beligerante para se auto-proteger de um mundo externo. O Deus moderno ensina - infelizmente - o exercício da fé egoísta: Jesus se tornou um avalista, um empreendedor. Ter significa, entre outras coisas, Poder, Dinheiro e Sucesso. Creio que "colocar mais água no feijão" é apontar alternativas. É apresentar uma nova ordem que se baseia em novos discursos.

Em sua visita ao Brasil o Papa Francisco nos ofereceu várias lições de simpatia. Como líder de um segmento religioso mais poderoso do mundo ele nos ensinou que a principal mensagem a ser aprendida é a acessibilidade, o sorriso - uma linguagem universal que possui diversos de significados. O Papa Francisco mostrou que num sorriso aprendemos a sermos disponíveis ao diálogo. Pena que algumas pessoas que se dizem líderes ainda não entenderam que a rispidez e a arrogância não levam a lugar nenhum. Quantas igrejas, centros espíritas e espiritualistas afastam seus seguidores por isso? É necessário dispor do Soft Power, do poder brando - aquilo que os especialistas descrevem como a capacidade de influenciar o mundo não através do poder bélico, mas por ideologias culturais.

Foi um espetáculo assistir o Papa Francisco ensinar que a maior mensagem disponível do Grande Mestre é o Amor despido da vaidade. Obrigado, Papa Francisco! Como você pediu, o tenho em minhas orações. É preciso enxergar a nossa própria ignorância e saber dimensioná-la. Principalmente nós que trabalhamos com o a Paz, a Cura e o Perdão.


SAIBA MAIS SOBRE O AUTOR
Pryom PRYOM é Numerólogo e Médium Espiritualista. Formado em Publicidade, desde jovem é empenhado em compreender a alma humana. Ministra palestras sobre Numerologia e encontros sobre o autoconhecimento. Se quiser saber mais, clique aqui. Se gostou do blog assine para receber os próximos artigos.

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